Da pesquisa à manufatura: Eduardo Giugliani analisa a parceria entre Ideia e Indusmart

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As universidades concentram algumas das maiores competências técnicas do país: pesquisadores altamente qualificados, laboratórios avançados e décadas de produção científica. Ainda assim, transformar esse conhecimento em soluções reais para o mercado, com aplicação prática, viabilidade técnica, prazo e escala, segue sendo um dos principais gargalos da inovação no Brasil.

Na PUCRS, esse papel de conexão é exercido pelo Ideia, Instituto de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, uma unidade criada há mais de 40 anos com a missão de oferecer apoio científico e tecnológico à universidade. Ao longo do tempo, o Ideia deixou de atuar apenas na manutenção e assistência técnica de equipamentos e passou a assumir uma função estratégica: aproximar a pesquisa acadêmica das demandas reais da sociedade e da indústria.

Mais recentemente, esse movimento se intensificou com o reposicionamento do instituto como um hub de prestação de serviços tecnológicos, voltado não apenas ao público interno, mas também ao mercado externo. A inserção física do Ideia no Tecnopuc, ambiente que reúne centenas de empresas e startups, ampliou esse papel de articulação entre universidade e setor produtivo.

É nesse contexto que se insere a parceria entre o Ideia e a Indusmart. A relação entre as duas organizações ajuda a ilustrar um desafio central da inovação brasileira: como transformar ideias, pesquisas e protótipos em soluções reais.


O desafio não é inovar — é aplicar

Em entrevista, o diretor do Ideia Eduardo Giugliani destacou que o Brasil não sofre com escassez de ideias, mas com a dificuldade de levá-las adiante. Segundo ele, a existência de uma estrutura que permita ao pesquisador sair do ambiente exclusivamente acadêmico é determinante para que a inovação avance.

“Um programa de prestação de serviços tem dois alicerces fundamentais”, afirma. “Um é a sustentabilidade. Mas o outro, talvez o mais importante, é colocar o pesquisador em contato com uma demanda externa real, complexa, da vida real. Isso muda.”

Na avaliação de Giugliani, esse contato direto com problemas concretos transforma o modo como pesquisadores, técnicos e professores enxergam seu próprio trabalho. A inovação deixa de ser apenas conceitual e passa a dialogar com fatores como custo, prazo, viabilidade e impacto, elementos centrais para qualquer aplicação industrial.


O papel do Ideia como ponte

Criado originalmente para dar suporte técnico à universidade, o Ideia foi ampliando sua atuação ao longo das décadas. Hoje, a unidade gerencia uma ampla base de equipamentos compartilhados, com diversos equipamentos disponíveis para uso colaborativo por alunos, pesquisadores e técnicos, além de oferecer serviços de assistência técnica, manutenção especializada e prototipagem.

Esse modelo rompe com a lógica de uso individual de infraestrutura. “O equipamento não é do pesquisador, ele é da instituição”, explica Giugliani. “Isso torna o uso mais democrático, maximiza o aproveitamento e reduz custos.”

Além disso, o Ideia abriga 27 laboratórios multiusuários e transdisciplinares, que atendem diferentes áreas do conhecimento, da engenharia à saúde, e permitem o desenvolvimento de projetos complexos, que exigem múltiplas competências técnicas.

Além disso, Quando a competência não está dentro do próprio Ideia, o instituto atua como elo de conexão com outros laboratórios, pesquisadores ou estruturas da universidade.

“Nesse aspecto, o Ideia funciona como um núcleo gestor”, explica Giugliani. “Se a competência estiver aqui, a gente presta o serviço. Se estiver fora, a gente busca e conecta.”


Quando a inovação encontra a indústria

É nesse ambiente que a parceria com a Indusmart ganha relevância. Inserida no Tecnopuc, a empresa opera exatamente na fronteira entre inovação e execução industrial: transformar projetos em peças, com controle de qualidade, cadeia produtiva e prazos definidos.

Segundo Giugliani, a aproximação surgiu de forma natural, a partir da convivência no ecossistema e da utilização de serviços técnicos ligados à mecânica e à manufatura aditiva. Com o tempo, a relação evoluiu para uma colaboração mais estratégica.

“Essa proximidade fez a Indusmart nos enxergar como um parceiro positivo, assertivo, capaz de entregar aquilo que eles precisam”, afirma. “E, da nossa parte, vemos a Indusmart como uma empresa inovadora, diferenciada, que nos permite estar mais próximos do mundo real.”


O papel da Indusmart

Dentro desse ecossistema, a Indusmart ocupa um papel estratégico ao atuar justamente na etapa onde muitos projetos costumam travar: a transição entre protótipo, engenharia e manufatura. Transforma demandas técnicas em soluções fabricáveis, reduzindo o tempo entre desenvolvimento e aplicação real.

Para o diretor de operações da indusmart, Cristiano Priotto, o desafio não está apenas em inovar, mas em tornar a inovação executável. “A maioria das ideias morre quando precisa virar processo. Nosso papel é fazer essa ponte, transformar tecnologia em algo que possa ser produzido, repetido e entregue com qualidade”, afirma.

Segundo ele, estar inserido dentro de um ambiente universitário como a PUCRS amplia essa capacidade, pois aproxima a empresa de conhecimento técnico, pesquisa e novos talentos, criando um ciclo contínuo entre aprendizado, aplicação e evolução industrial.

Além disso, para a Indusmart a instalação da placa na entrada do Ideia marca um novo capítulo de uma parceria construída ao longo de mais de um ano de colaboração entre as instituições. Ao longo desse período, a Indusmart firmou um contrato de prestação de serviços tecnológicos com o Ideia, superior a R$ 500 mil, viabilizado também por recursos de fomento à inovação.

O escopo incluiu engenharia aplicada, acesso a laboratórios de inspeção de qualidade e identificação de matérias-primas, além de modelagem e prototipagem em impressão 3D, fortalecendo a infraestrutura, acelerando projetos estratégicos e aprofundando a integração entre universidade, tecnologia e indústria.

Da esquerda para a direita: Cristiano Priotto e Giovani Priotto fundadores da Indusmart e Eduardo Giugliani, diretor do Ideia.

Quando a conexão gera impacto

No fim, a parceria entre Ideia e Indusmart não se resume somente à prestação de serviços ou à proximidade física. Ela representa um modelo de inovação aplicada, no qual universidade e indústria compartilham desafios, aprendizados e resultados.

Para Giugliani, o impacto é duplo. “De um lado, contribuímos para a sustentabilidade da universidade. De outro, colocamos pesquisadores em contato com problemas reais, o que melhora a aprendizagem e a transferência de conhecimento.”

É nesse ponto que a inovação deixa de ser apenas discurso e passa a gerar valor concreto. Quando pesquisa encontra método, quando protótipo encontra indústria e quando conhecimento encontra aplicação e o ecossistema amadurece.

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